Durante a cura de uma depressão temos altos e baixos. A única certeza, é que o tempo não pára, não espera e só nós temos as ferramentas para entrarmos no comboio da vida e sairmos da estação onde só vemos os comboios passar. Quando o nosso calcanhar de Aquiles é atingido, podemos voltar a sentir "aqueles medos" e querer voltar para trás para a "zona de conforto", ainda que esta nos tenha magoado tanto sem dar trégua. Até parece masoquismo, mas na verdade, trata-se apenas de ser a única realidade vivida e conhecida até ali. E por isso, muitas vezes aquilo a que deveria ser tão fácil dizer adeus, tem tanto controle sobre nós, fazendo muitas vezes voltarmos para trás, quando o caminho é para a frente. Quando sentimos esta sensação despoletada pelo que for, muitas emoções que corroboram essa vontade, vêm ao de cima. Mas devemos lembrar que estas emoções na maioria das vezes são infundadas, são apenas reflexos dos nossos medos e inseguranças que tentam puxar-nos para baixo outra vez. O que despoletou não é o problema, mas sim a nossa reação ainda sofrer com isso, o que demonstra que ainda temos algo a resolver interiormente.
Se nos imaginarmos a sermos puxados para o fundo do mar, sabemos que o ar eventualmente vai faltar, é aí que devemos espernear com a toda a nossa força para voltarmos à superfície. É fácil mantermo-nos na superfície a partir do momento em que olharmos para dentro de nós e sentirmos que realmente queremos ficar na superfície e nadar rumo ao mundo que almejamos, sem olharmos para baixo. Isto significa que a confiança em nós e no próximo já fazem parte das nossas ferramentas para viver, pois "Nenhum homem é uma ilha".
No fundo do mar estão as nossas limitações e devemos procurar ajuda para as enfrentar, de forma a encará-las e continuarmos o nosso caminho em frente. Sabemos que elas existem mas já não nos controlam. Quem está ao volante agora somos nós, a nossa confiança e vontade de viver, sentir, experienciar, aproveitarmos a dádiva de estarmos vivos e podermos fazer diferença, deixando a nossa marca neste mundo. Se ajudarmos uma pessoa que seja e se todos ajudarmos alguém, o mundo terá a sua ferida cicatrizada muito mais rápido. Nós vivemos num mundo doente, onde emoções negativas entraram e corromperam muitos e atormentam outros. Para sairmos da escuridão basta olharmos para a luz dentro de nós, a luz da vida.
O presente é o único espaço temporal real. As palavras passado e futuro são extensões da verdadeira palavra que define o tempo, presente. O presente é imprevisível e nunca sabemos qual vai ser o último momento em que podemos apreciar tudo e todos que nos rodeiam. O perder, desperdiçar tempo é relativo, depende da perspectiva de cada um. Por isso use o seu tempo da forma que o fizer feliz. Quando sentir a sua alma sorrir, saberá que está a viver em pleno o seu constante presente. Não se assuste, agradeça e siga em frente.
Momentos de resistência e de bonança estão sempre no caminho, a forma como os enfrentamos e abraçamos é que conta e define o curso do nosso caminho. Ouvirmos o nosso coração faz bem, o nosso instinto e intuição também. Permita ouvir-se a si e aos outros, leia nas entrelinhas e descobrirá sempre a sua resposta.
As palavras medo e insegurança têm sido uma constante em alguns dos meus textos. Quero apenas dizer que estas emoções têm tantas faces, que resumir todas elas num simples texto, talvez seja possível, mas gosto de advertir as diversas possíveis vertentes para que estas não o (a) apanhem na curva. Elas são tramadas e cheias de artimanhas, mas acredito que a confiança e força de vontade é que vão apanhá-las na curva!
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